Empregadora é condenada por convocar empregada em auxílio-doença por anúncio de jornal
Empregadora é condenada por convocar empregada em auxílio-doença por
anúncio de jornal
Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve condenação por
dano moral do Banco do Brasil por publicar em jornal anúncio de
convocação ao trabalho, com ameaça de demissão por abandono, de
empregada que se encontrava convalescendo de uma cirurgia, em
auxílio-doença, sem poder comparecer pessoalmente ao local de trabalho.
O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS), que confirmou a
indenização calculada em R$ 15 mil pelo juiz de primeiro grau, entendeu
que a atitude da empresa foi descabida e abusiva, enquadrando-se no
artigo 17 do Código Civil, que não permite a utilização de nome de
pessoa em publicação que o "exponha ao desprezo público".
De acordo com o processo, a bancária começou a trabalhar na instituição
financeira em 1983, e foi afastada por auxílio-doença pelo INSS em
2003. O benefício foi reativado em abril de 2010, e o anúncio de
convocação para o retorno ao serviço foi publicado em outubro no jornal
Zero Hora, de Porto Alegre (RS).
Em sua defesa, o BB alegou que buscou contato por todos os meios com a
empregada, "tendo como última instância a publicação de nota de
convocação para que regularizasse a sua situação junto ao Recursos
Humanos, inclusive por representante legal constituído".
No entanto, o Tribunal Regional destacou em sua decisão que o banco
comunicou em abril à empregada que o benefício do INSS havia sido
reativado, o que demonstra seu conhecimento sobre a sua situação de
saúde e a suspensão do contrato em função do benefício previdenciário.
Tal situação, segundo o TRT, é incompatível com os elementos necessários
ao abandono de emprego. Ressaltou ainda que a bancária havia respondido
a um contato por e-mail, noticiando a impossibilidade de comparecimento
pessoal ao banco em 23/9/2010.
TST
A Terceira Turma do TST não conheceu do recurso de revista do BB. Para o
ministro Mauricio Godinho Delgado, relator do processo, houve ofensa à
dignidade da empregada, de acordo com o que ficou demonstrado nos autos.
"A conduta do banco mostrou-se abusiva, ferindo a própria boa-fé
objetiva e a regra do artigo 17 do Código Civil, como bem afirmado pelo
TRT", concluiu.
(Augusto Fontenele/CF)
Processo: RR-721-66.2012.5.04.0204